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No dia 02/02/2026 compartilhamos em primeira mão a criação da classe L para baterias de lítio.

Se passou um mês e muita conversa aconteceu sobre esse assunto. Desde os que defenderam que, como profissionais, devemos ter uma análise crítica, reconhecendo que ainda não há solução em norma para prevenção contra incêndio, até aqueles que apenas seguiram o barco e não entenderam, de fato, o que esse “passo” representa.

Fomos na fonte! E trouxemos o ouro para a PrevComunidade. (de nada.)

A PrevWorld está aqui para ser uma facilitadora de boas informações. Nesta edição, vamos falar exclusivamente sobre o tema das baterias de lítio, trazendo para o debate profissionais que estão na base da discussão e que atuam diretamente para ampliar a segurança no uso desse material moderno.

VOCÊ VAI LER HOJE:

  • A nova Classe L: o que muda com a classificação internacional para incêndios em baterias de íons de lítio.

  • Carros elétricos x micromobilidade: por que scooters e e-bikes podem representar um risco maior de incêndio.

  • Infraestrutura de recarga: o que dizem as normas (NBR 17019) e como condomínios devem se preparar.

  • Combate a incêndios em baterias: por que resfriamento e grandes volumes de água continuam sendo a principal estratégia.

  • Manutenção e ciclo de vida das baterias: impactos, riscos invisíveis e a “segunda vida” dos packs de energia.

  • O futuro das baterias: novas químicas e o desafio de adaptar a infraestrutura das edificações.

PrevTime®
PrevNews 110:

Baterias de Lítio, Classe L e a Nova Realidade da Segurança contra Incêndio

A transição para veículos eletrificados já deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade global. Com ela, surgem novas perguntas para quem trabalha com segurança contra incêndio, infraestrutura predial e gestão de riscos.

Nos últimos meses, o debate sobre baterias de lítio, incêndios em veículos elétricos e a chamada Classe L ganhou força no setor. Mas entre manchetes alarmistas e opiniões superficiais, ainda existe muita confusão técnica.

Nesta edição, reunimos os principais pontos discutidos por especialistas da área para entender o que realmente muda na segurança contra incêndio com a eletrificação da mobilidade.

Classe L: a nova classificação de incêndio

Em janeiro de 2026, a ISO 3941 publicou oficialmente a classificação Classe L, destinada a incêndios envolvendo baterias de íons de lítio.

Essa classificação reconhece um fenômeno específico chamado fuga térmica, uma reação exotérmica que pode liberar gases inflamáveis e manter a bateria reagindo mesmo após o combate inicial ao fogo.

Apesar de já reconhecida internacionalmente, a Classe L ainda passa por processo de harmonização em diferentes países. No Brasil, por exemplo, a ABNT ainda trabalha na adaptação dessa classificação ao sistema nacional de normas.

Ou seja: o conceito já existe, mas o mercado ainda está aprendendo a lidar com ele.

O maior risco não está no carro elétrico

Pode parecer contraintuitivo, mas especialistas apontam que o maior risco de incêndio atualmente não está nos carros elétricos.

Ele está na micromobilidade.

Patinetes elétricos, bicicletas elétricas e pequenos veículos de baixo custo frequentemente utilizam baterias com sistemas de gerenciamento simplificados. Em muitos casos, o BMS (Battery Management System) monitora apenas a tensão da bateria, sem controle adequado de temperatura.

Isso significa que uma bateria pode superaquecer durante o carregamento sem que o sistema interrompa o processo.

Somado a isso, existe um comportamento de risco muito comum: carregar esses equipamentos dentro de ambientes habitáveis, como salas e quartos.

Em cidades como Nova York, esse tipo de carregamento já foi proibido por legislação devido ao aumento de incêndios fatais.

Infraestrutura de recarga: não é só instalar uma tomada

Carregar um veículo elétrico exige muito mais do que simplesmente disponibilizar uma tomada na garagem.

No Brasil, instalações desse tipo devem seguir a NBR 17019, norma que regula circuitos elétricos dedicados para veículos eletrificados.

Em condomínios, por exemplo, a instalação segura normalmente envolve três etapas fundamentais:

1. Estudo de demanda elétrica
Avaliar se a infraestrutura do edifício suporta novas cargas.

2. Gestão de carga
Sistemas que controlam a potência disponível, evitando sobrecarga da rede.

3. Desligamento geral de emergência
Cada vez mais exigido por Corpos de Bombeiros para permitir que todas as estações sejam desligadas rapidamente em caso de incidente.

A tendência regulatória também é clara: legislações recentes já indicam que condomínios não poderão simplesmente proibir carregadores, desde que os requisitos técnicos sejam atendidos.

Incêndio em baterias: o combate ainda depende de água

Um dos mitos mais difundidos é a ideia de que existiriam extintores específicos capazes de resolver incêndios em baterias de veículos elétricos.

Na prática, especialistas são claros: não existe atualmente um extintor Classe L certificado no mundo.

Os equipamentos comercializados no mercado podem até funcionar em pequenas baterias, como as de celulares ou notebooks, mas não têm vazão nem volume suficientes para lidar com packs automotivos.

Por isso, o método mais eficiente continua sendo o resfriamento com água.

Em muitos casos, um incêndio em veículo elétrico pode exigir 3.000 a 6.000 litros de água, não necessariamente para apagar as chamas, mas para reduzir a temperatura do conjunto de baterias e interromper a reação química.

O risco invisível: impactos na bateria

Outro ponto crítico está na manutenção e inspeção dos veículos.

Impactos aparentemente simples na parte inferior do carro — como bater em um pino de portão ou em um objeto na via — podem danificar a estrutura da bateria.

O problema é que esse tipo de dano nem sempre gera alerta imediato no painel do veículo.

A bateria pode continuar funcionando normalmente, mas internamente células podem ter sido deslocadas, criando risco de fuga térmica dias ou semanas depois do impacto.

Por isso, protocolos de segurança recomendam que veículos com impactos estruturais sejam colocados em quarentena, em áreas abertas e afastadas de edificações.

O futuro das baterias

Marcelo Valle e Renata Dal Molin no episódio 315 do PrevCast: CLASSE L E ATUALIZAÇÕES SOBRE BATERIA DE LÍTIO

Apesar dos desafios atuais, o futuro da tecnologia aponta para soluções cada vez mais seguras.

Novas químicas, como baterias de sódio-íon e baterias de estado sólido, estão sendo desenvolvidas para reduzir drasticamente ou até eliminar o risco de fuga térmica.

Mas existe um desafio que permanece.

Estamos introduzindo tecnologias do século XXI em infraestruturas projetadas no século XX.

A pergunta que fica é:

nossos edifícios estão evoluindo tão rápido quanto as baterias que estamos levando para dentro deles?

✔️ A eletrificação é inevitável.
✔️ A tecnologia está avançando.

Agora o próximo passo é garantir que normas, infraestrutura e cultura de segurança evoluam no mesmo ritmo.

Gostou da matéria da semana? Não é só isso!

Este conteúdo foi retirado do episódio 615 do PrevCast, com Marcelo Valle, CEO da Mvalle Consultoria e especialista em prevenção contra incêndio; Hélio Ferraz, CEO da EnergySpot, com mais de 40 anos de experiência no setor elétrico e em soluções de recarga em condomínios; e Amauri Gimenes, especialista em baterias de veículos elétricos e sistemas de gerenciamento de bateria (BMS).

Assista ao episódio completo no YouTube:

PrevIndicação:

A PrevWeekend 2026 já tem data marcada.

A PrevWeekend 2026 já tem data confirmada: 27 a 30 de agosto, em São Paulo.
É a 5ª edição da maior imersão da América Latina dedicada à prevenção e combate a incêndio, reunindo profissionais que lidam, na prática, com normas, decisões técnicas e responsabilidade sobre vidas e patrimônios.

A segunda sessão de entrevistas já tem data e será em maio. Se você quer receber a ligação para entender se a PrevWeekend é para você, preencha o formulário de inscrição.

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Até semana que vem, PrevComunidade! 😎

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